
O carro parece simbolizar com propriedade o poder transportante da psique. A psique não é um objeto, uma coisa; é um processo. Sua essência é o movimento. Assim como a paisagem externa passa por nós quando viajamos, assim diante do olho interior as imagens se sucedem numa constante fita de cinema. São as imagens que sintonizamos quando fechamos os olhos para as coisas externas e subimos no carro para uma viagem interior. Semivislumbradas, às vezes totalmente não reconhecidas, tais imagens afeiçoam nossa vida e nossos atos. Contêm a semente vital da vida.
[...]
O número sete do Carro liga-o ao fado, ao destino, e à transformação. Num par de dados, os lados opostos de cada dado somam sete. Foram enumerados sete atos separados de criação no Gênese, e no processo alquímico há sete estádios de transformação sob o influxo de sete metais e sete planetas. Na filosofia oriental temos a lei séptupla da harmonia divina e os sete chacras. Não é, portanto, muito para admirar que O Carro assinale o início de uma nova era, e que a sua energia nos conduza à segunda fileira horizontal, apropriadamente denominada o Reino do Equilíbrio.
[...]
Um velho adágio, com o qual o leitor, sem dúvida alguma, está familiarizado, é o seguinte: a vida não examinada não vale a pena ser vivida. A isto, algum jogral moderno acrescentou o seguinte corolário: ... e a vida não vivida não vale a pena ser examinada! Ao desejarmos feliz viagem ao herói, esperemos que ele ouse e forceje ao máximo, a fim de que as suas aventuras sejam dignas de ser examinadas nos capítulos seguintes.
"Jung e o Tarô: uma jornada arquetípica" - Sallie Nichols
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segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Lunação
Pensado por Domitia às 10:19 1 comentários
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Banner do Dea Matter
A fofa da Lu deu um help com seus dotes 'bannerísticos' kkkkk
Agora tem banner do Dea Matter, pra pontuar bem a volta do blog ^^

Pensado por Domitia às 14:43 0 comentários
Pós-Finados
Eu não celebrei com formalidades, tampouco fiquei horas a pensar sobre o sentido disso. Eu sei o que significa, sei o que eu teria feito se estivesse em casa, se tivesse espírito pra descansar e fazer. Mas a alma, ela não exige tanto sabe.
Passei feriado no litoral paulista, na casa da avó do meu namorado, curtindo uma folga que eu precisava. Sábado, ao chegar, pensei se teria forças pra caminhar pela praia a noite após uma viagem chata. Não. Dormi e nos meus sonhos percebi que há algo automático que se liga não só com o psicológico, mas com a noção de que as portas estavam abertas pra ouvir, sentir, sonhar.
Não foi premonição, e muito menos um contato com o outro mundo. Foi sim uma descarga da minha mente, talvez até uma pontada de saudade que precisava matar. Não morreu. Acho às vezes que, quando vem, cresce sem parar no peito, mas logo vai embora, consciente de que as coisas são assim: vida e morte.
Nessa onda toda de se falar e escrever sobre o que morre, eu penso no que vive. Acho que bem mais que respeito aos que já se foram, é respeito pelo que somos hoje, graças a eles ou não. À vida que perdura, que nos mantém ligados de alguma forma à tudo que persiste em nós. A família, amigos, trabalho, lazer. Isso é a VIDA. Não há melhor forma de refletir nesse sentido, do que preservar esse bem maior.
Engraçado isso, não? Nunca fui de valorizar tanto esse ponto de vista. Aliás, acho que minhas defesas à essa visão foram poucas, mas como digo: tranformações. A gente entende que vivemos fases e fases, que morremos diariamente, mas que a centelha que nos é comum é a inspiração a cada manhã. Puxa o ar com toda força, e sentir o corpo voltar ao movimento.
Refleti sobre o tempo que passou, sobre as mudanças que eu mesma dei início.Eu deixei morrer grande parte de mim. Mas foi um morrer completamente voltado à essa transformação natural, da vida. Acho que chama amadurecimento, ou talvez meramente evolução. Sei que tenho pensado nisso quase todos os dias, e me faz bem entender que algumas coisas não se manifestam mais com tamanho ardor, mas existem, e existem de tal forma que me fazem feliz. Tranquilamente feliz.
Assim se busca o equilíbrio, e eu penso que eu a Vida é tudo que eu preciso preservar pra que alguma coisa finalmente faça total diferença.
Pensado por Domitia às 14:04 0 comentários
Palavras chave: morte
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Leia também...
...no Crianças Pagãs: HALLOWEEN!
Comidinhas e Brincadeiras
e
Algumas coisas por essa data
Por Luciana Onofre
Halloween em família
Por Rachel F.
http://criancapaga.blogspot.com
Pensado por Domitia às 22:56 0 comentários
Palavras chave: blog
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Então li Água Viva...

Terminei hoje mesmo de ler esse maravilhoso livro!!
O existencialismo de Clarice Lispector me fascina, de todas as maneiras possíveis. Apesar de uma leitura densa, Água Viva me encantou de diversas maneiras nesse divagar - recurso que uso em minha escrita.
A autora toma de uma profundidade elementos da natureza, misturando com sua própria essência obscura, e ao mesmo tempo maravilhosa. A visão dessa mulher é inspiradora, embora nem sempre seja uma leitura fácil.
Adoro Clarice Lispector, como adoro Cecíla Meireles, e como adoro Lya Luft também.
Aliás, desta última, recomendo uma obra chamada Exílio, que um dia escreverei comentando o impacto que me causou na época em que li.
Começo hoje Perto do Coração Selvagem, também de Clarice.
Sim, estou mergulhando nas águas agitadas de seus escritos.
Pensado por Domitia às 00:12 1 comentários
Palavras chave: leitura
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Mulher que corre com cães
Não há coisa que eu goste mais do que ver minhas cadelas calmas, serenas e me fazendo companhia. A gente deita a noite na sala pra ver filme, com elas esparramadas ao pé do colchão, dormindo, nos olhando.
Sophie é a primeira a dormir, sempre. Ela já está com seus quase 8 anos, com ar cansado de conviver com a filha elétrica. Quando se deita, eu mesma sinto todos os músculos relaxando, e a sensação prazerosa de simplesmente descansar. Ela é tão serena, que gostaria de ter o toque das patas dela ao tocar no chão...suaves, gentis. Ela olha por nós, e há delicadeza até em sua ferocidade quando alguém ronda nossa casa. Quando deito com ela, desejo o eterno.
Depois que li "Marley e Eu", entre lágrimas e risadas, eu percebi que eu vivo com o pior cão do mundo também. A Mika simplesmente parece que vai ser filhote pra sempre. Não sei se é bom ou ruim, pra falar a verdade. É boba, é agitada, é inconseqüente e sem noção. Faz show pro banho, pra por coleira, pra tomar remédio, pra ir ao veterinário. Faz show pra tanta coisa, que mesmo quando não se quer nada além de um carinho, ela faz show.
Falo tão mal dela, pelo péssimo comportamento, que fico com vergonha quando conto dela passeando no Parque Ibirapuera. Por que? Porque ela simplesmente parecia outro cão. Educada, calma, a ponto de até deitar na grama enquanto eu descansava. Dentro de casa, nos primeiro 10min, ela parece que tomou energético. Depois, como quem não fez show algum, deita e dorme...e ronca.
Por mais que tenha crises existenciais quando a Mika puxa roupa do varal, ou quando a Sophie mata passarinhos, ou quando a Noca rosna pras duas que são maiores que ela (e leva maior pau...e quem tem que meter o bedelho? eu ¬¬), eu não me vejo sem cachorro. Aliás, não me vejo sem bicho algum. Queria ter mais cães, queria pegar gatos, queria ter roedores, queria ter cavalos queria tudo!!! Cresci assim, fazer o que.
Não mistifico, mas vejo um quê, meio que implícito, de uma parte minha tão divina, tão repleta dessa essência, que sem bicho não é. Não falo pela devoção que tenho por Diana, até porque, Ela transcende essa associação com qualquer elemento da natureza. Essa coisa que existe parece que vem de tanto tempo, que é mais que parte minha. Nem sei explicar. Só sei que pra mim, um rito não é um rito se não tiver o nariz gelado de uma delas, mesmo que tentando fazer das oferendas um petisco.
Bicho é tudo de bom!
Pensado por Domitia às 11:48 0 comentários
Palavras chave: bicho
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Ao "Love Your Body Day"
Nunca me senti a vontade com meu corpo. Quando estava na pré-adolescência, tinha vergonha até dos braços, o que implicava no uso de casacos até no dia mais quente. Um dia simplesmente apareci no colégio de camiseta - ninguém acreditou.
Já na adolescência, com uns 15 anos, o peito cresceu demais, as estrias iam aparecendo porque eu era uma sanfona - engordava e emagrecia. Mais neuras.
E foi indo. Nunca tive problema com cabelo...mais tarde tive porque se deixava curto, tinha que ajeitar, não podia fazer trança. Se deixava longo, era trabalho pra pentear, isso e aquilo. No fim, desculpas sem fim pra me sentir desconfortável com meu próprio corpo.
Devo dizer que namorar por muito tempo, entre tantas coisas no meio disso, me fez deixar de lado esse lado do cuidar de si. Talvez por comodismo, o que fosse. Quando a relação acabou, essa coisa toda foi junto. Não foi por qualquer coisa relacionada ao cara, mas simplesmente percebi que eu não havia me cuidado. Um dia passei pelo espelho e me vi. E ao dar chance, percebi que outras pessoas me viam também. Na verdade, a projeção que fazia de ser indesejável, era simplesmente uma questão de não me aceitar. O problema estava em mim.
Fiz sim minhas preces diárias à Vênus, e alí tinha os momentos 'in'. Através desse longo processo de reflexão, com uma dose espiritual até, simplesmente criei gosto por me agradar. Ajeitei cabelo, dei aquele up básico, e gostei. E não é só a questão do físico, é também tudo que engloba o psicológico. Passei a me mimar, comprando roupas diferentes, confortáveis, e priorizando principalmente meu bem-estar.
Posso dizer que hoje eu me sinto muito mais feliz com o que sou, do que há uns 6 meses atrás. De verdade!
Não sou magra top model, tenho estria, devo ter celulite também, tenho uma olheira que me estressa às vezes, manchinhas, e todas as coisinhas que poderiam me fazer ficar horas no espelho me descabelando. Mas não.
Eu me vi e gostei, e tenho um companheiro que me ama assim, me faz sentir a mulher mais linda do mundo... Isso não tem preço!!!
A chave é parar todo dia e refletir sobre como nos enxergamos.
Será que só o modelo de estética imposto pela mídia nos fará felizes?
É um absurdo deixarmos, inclusive, que isso se torne um elemento cultural na nossa sociedade!
Ame seu corpo. Hoje e sempre!
"Ninguém é perfeito até que você se apaixone por essa pessoa."
William Shakespeare
Pensado por Domitia às 22:33 2 comentários
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